Trajando um enorme sobretudo de veludo,
cordialmente, invade minha cabeça,
o senhor de vistoso bigode.
Tão impetuoso e suficiente de si mesmo,
sem apresentações, se mostra a origem da visita:
-Viveste a vida? Ou foi ela que viveu por ti?
-Consumiste a vida?
-Levou sua vida ou tu és personagem da que te projetaram?
-Amou-a? Esgotou-a?
Feito flechas, me calei,
Haveria respostas àquelas perguntas?
Não há vida após a morte, disse o eloquente bigode,
-Vivas como se à cada momento, apaixonadamente, quisesse repeti-lo,
-Consuma-te sua vida!
Logo tudo virá pó,
Eterno é só o retorno,
nem eu,
nem tu.

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