Postagens

Mostrando postagens de 2015

25/12/2015

Há um abismo entre os dois corpos tão cheio de silêncio Entre os dois entes há a despedida não dada o adeus simbólico quando os dois acenam a cabeça em concordância. O resquício do ideal e a tão refutada sensação de, no lixo, jogar as pérolas.
De nada adiantaria se a primavera não pertencesse às flores Se o mar não fosse pra acalmar e um dia de frio pra num abraço se amarrar Nada teria valor os bens o emprego os carros e o barco se o valores estivessem neles em si. Nossa vida pálida de pessoas-objetos que faz plateia pro humor decorado A repetição da vida em seus mínimos detalhes sem emoção que carinhosamente apelidamos rotina. De nada adiantaria os papéis que representamos pra aqueles que vêm antes e as pessoas que afirmamos ser para nós mesmos. De nada adiantaria uma vida se a arte das pequenas coisas não falasse se a alma não tivesse fome.
Vejo que por mais que esse verso não fosse um arranjo e a poesia nunca houvesse sido lida de nada adiantaria uma vez que os poemas se escrevem sozinhos quando me pego nos seus olhares que cantam para mim e desde que sinto tua doçura em meu paladar tão doce quanto sou outro.
Um tico de loucura todo mundo tem Mas ao poeta não se pergunta o que é realidade ou ficção poesia ou sublimação.
Seus signos me desnorteiam seu canto soa poesia mas suas ações não Porque posso, escolho não me encarregar de sofrer as condolências Paradoxalmente o meu amor morre a priori. 

Trinta e quatro

Eu, que vejo poesia em tudo não me contive quando o acaso me fez sortudo Tratei-me logo de te documentar fiz um verso, dois talvez feito ladino, sem você imaginar Resolvi por baixo começar e daquele sapato retrô tamanho trinta e quatro tratar Sua trapalhice que cria embaraço parece um pedido e diante dos teus pés monto um laço. É um ensaio os silêncios, que cabem em minutos em resmungos esperam o 'Hold me closer, Tiny Dancer' finalmente,  juntos cantado Tem traços de ti por toda sala nas cenas, nos dedilhados fingindo ser BB King Sol, Ré, Mi...exala. Há um milhão de cores na simetria do seu rosto eu, que me faço de daltônico me aproximo e sinto seus sabores Fica tão fácil em versos transformar seu nome, que com solos, livros e blues dois, três versos rimar.

Poesia do dia a dia.

O dialeto da rua são dois dedos de prosa porém, me desculpe ora bolas a melodia que ecoa é a poesia e não a prosa. O cotidiano é um enfeitador um tal de eufemista, coloca um laço em tudo transforma parede em pintura e mendigo em sonhador Os temperos são dissimilares ninguém leu Virgílio, Bandeira ou Azevedo o poeta é outro Manuel, outro Álvares. Feito em Odisseia, narra Dona Espedita cantando, ninguém acredita as dores do marido e sua inefável partida O beijo roubado no portão vermelho paixão era o vestido de Madalena o trocado para o pão.. isso a poesia do dia dia não deixa passar, não. Eu, que vejo em tudo um quê de beleza quem não vive e ora chora não contempla suas felicidades e sua tristeza.
Eu te disse, essa guerra de travesseiro não ia terminar bem, agora você tá ai, me olhando, e eu, feito bobo, tentando te explicar porque cê tem que ficar. Me diz que não fez as unhas pra me ver?

Divina Comédia. Inferno, Canto XII

Imagem
'e entre a arriba e a rocha a fila passa dos Centauros correndo com as setas, como usavam no mundo andar à caça. E vendo-nos baixar, ficariam quietas as criaturas; três da fila miro que vêm de arcos e flechas bem directas; e de longe um gritou: Eu vos inquiro a que martírio vindes pela costa? Dizei daí; se não este arco tiro. E o meu mestre lhe disse então: Resposta a Quíron daremos que te alcança: mal foi a tua vontade à pressa exposta. (...) Quíron se voltou à destra popa e disse a Nesso: Volta e assim os guia e afasta se topardes outra tropa E da segura escolta em companhia, fomos na orla vermelha da fervura, onde os feridos davam gritaria.'

Recado em fim de livro.

Na fila do pão, até o quindim tá mais bonito, e olha que hoje é segunda feira! Ai que inocência a minha, até quem me viu aqui, sabe da melodia nos olhos, depois de cruzar com os seus.