De nada adiantaria
se a primavera
não pertencesse às flores
Se o mar não fosse pra acalmar
e um dia de frio
pra num abraço se amarrar
Nada teria valor
os bens
o emprego
os carros e o barco
se o valores estivessem neles
em si.
Nossa vida pálida
de pessoas-objetos
que faz plateia
pro humor decorado
A repetição da vida
em seus mínimos detalhes
sem emoção
que carinhosamente apelidamos
rotina.
De nada adiantaria
os papéis que representamos
pra aqueles que vêm antes
e as pessoas que afirmamos ser
para nós mesmos.
De nada adiantaria uma vida
se a arte das pequenas coisas
não falasse
se a alma não tivesse fome.

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