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Mostrando postagens de julho, 2014

Cinco a cinco.

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Que passo desconcertante, é essa ligação cinco a cinco, que feito nó, ora solta, ora prende. Vai saber agora, se são dois ou um, na caminhada, vem de mão dada. Entrelaça-me entre teus finos dedos, feito persa, carrega contigo jade, topaz e esmeralda. Mar a fora, o itinerário, meu bem, me coloca no teu barco, e de vento em popa, ata-me as descobertas, ata-me aos sorrisos, ata-me, entre os dedos, de mãos dadas. 

Nerudinha.

Os teus pés Quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés. Teus pés de osso arqueado, teus pequenos pés duros. Eu sei que te sustentam e que teu doce peso sobre eles se ergue. Tua cintura e teus seios, a duplicada púrpura dos teus mamilos, a caixa dos teus olhos que há pouco levantaram vôo, a larga boca de fruta, tua rubra cabeleira, pequena torre minha. Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, até me encontrarem.
"A maior dádiva é não ter a certeza, não ter certeza.."

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Morais de Vinicius.