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Mostrando postagens de 2014

Cinco a cinco.

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Que passo desconcertante, é essa ligação cinco a cinco, que feito nó, ora solta, ora prende. Vai saber agora, se são dois ou um, na caminhada, vem de mão dada. Entrelaça-me entre teus finos dedos, feito persa, carrega contigo jade, topaz e esmeralda. Mar a fora, o itinerário, meu bem, me coloca no teu barco, e de vento em popa, ata-me as descobertas, ata-me aos sorrisos, ata-me, entre os dedos, de mãos dadas. 

Nerudinha.

Os teus pés Quando não posso contemplar teu rosto, contemplo os teus pés. Teus pés de osso arqueado, teus pequenos pés duros. Eu sei que te sustentam e que teu doce peso sobre eles se ergue. Tua cintura e teus seios, a duplicada púrpura dos teus mamilos, a caixa dos teus olhos que há pouco levantaram vôo, a larga boca de fruta, tua rubra cabeleira, pequena torre minha. Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água, até me encontrarem.
"A maior dádiva é não ter a certeza, não ter certeza.."

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure. Morais de Vinicius. 
"Existe uma teoria, na psiquiatria, que me parece de extrema relevância. Alfred Adler, um médico vienense, escreveu diversos textos sobre sentimentos universais de inferioridade que aumentam simplesmente em função do crescimento como ser humano e da vivência prolongada de situações em que nos sentimos desamparados, fracos e dependentes. Muitos acham que esse sentimento de inferioridade intolerável e buscam compensá-lo desenvolvendo um complexo de superioridade, que é apenas uma outra face da mesma moeda" Tendo em vista que nosso cérebro é atemporal e as pulsões inconscientes, esse comportamento parece bem estável. O ENIGMA DE ESPINOSA, pg 292.
"Quanto de verdade podemos suportar?"
"O que não pode ser lembrado, não pode ser deixado para trás" FREUD, Pink.
"Para cada coisa, deve-se indicar a causa ou razão pela qual ela existe ou não existe. Por exemplo, se um triângulo existe, deve-se dar a causa ou razão pela qual ele exista; se, por outro lado, ele não existe, deve-se também dar a razão ou a causa que impede que ele existe, ou seja, suprima sua razão" ESPINOSA, Baruch. Ética.
"O cristianismo tomou o partido de tudo que é fraco, vil e malogrado, ele fez um ideal a partir da contradição aos instintos de conversação da vida forte; ele corrompeu a própria razão das naturezas mais fortes espiritualmente quando ensinou a sentir os valores supremos da espiritualidade como pecaminosos, enganadores, como tentações."  NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo. Vide nossa imagem semelhança, fraco, crucificado, sofrido. Ora, coitadinho.. 

Agridoce.

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Sensato foi a ocasião, que entre tanta gente sem gosto, me trouxe logo dois, ora doce, ora ácida. Vejo nessa caminhada, florestas e encontros, histórias, e folclore, Dante e Quixote, Sofia e Platão, mas é quando escuto-te, que, sutilmente, percebo, só estava perdido nas suas palavras. E mal aventurado é o tempo, que inveja a companhia, dos nossos encontros, que quando olho, passou. Confesso, Agridoce, seu controle tão absoluto, o ar perspicaz que esses olhos têm, isso assusto os homens, mas para mim, me enche de bom grado! Ver-te, linda, ser por ser, apenas. Te vejo tão longe, em matas e bosques, montanhas e jardins. Em barcos, mochila feita, Iça vela, Capitão e Capitã. *A ideia do mochilão, dos filhos problemáticos, cop noodles, biblioteca..tá tudo de pé!*

Salomé.

“Claro, como se ama um amigo Eu te amo, vida enigmática – Que me tenhas feito exultar ou chorar, Que me tenhas trazido felicidade ou sofrimento, Amo-te com toda a tua crueldade, E se deves me aniquilar, Eu me arrancarei de teus braços Como alguém se arranca do seio de um amigo. Com todas as minhas forças te aperto! Que tuas chamas me devorem, No fogo do combate, permite-me Sondar mais longe teu mistério. Ser, pensar durante milênios! Encerra-me em teus dois braços: Se não tens mais alegria a me ofertar                                                    Pois bem – restam-te teus tormentos.“ Niti, o primeiro friendzone da história. 

Farol de um metro e meio.

Que orquestra sinfônica, abriram em mim, caminhos desconhecidos, e tiraram-me, pelos dedos, do chão. Meus olhos, que juravam visto de tudo, de luz, cegaram! Faltou ar por dentro, e no estômago, sim, centenas de borboletas! Que perfeita combinação, essa curva tão apaixonante, feito melodia, me tocando. E calou-se o poeta, mas em mim, tenho todas as poesias do mundo, quando, hoje, pra mim você sorriu.

São Paulo

As luzes dessa cidade, e o frio de quarenta graus, amenizam toda essa loucura. Nas estações, a vida é mais fria, tantos olhares trocados, e mãos sem tato. São só pessoas, de cá pra lá, sem se olharem, com nada para oferecer. Quem se perde na estação, jamais se encontrará. E a cada parada, é um amor a menos. Quantos corações morrem, a cada despedida?
Todos esses acordes perdidos pelas esquinas cantando nossa vida não vivida. Essa cidade, cada vez mais cinza, tirando a melhor parte de mim, dia após dia. Saudade é isso, o amado foi embora, mas o amor..não. Quem vai acreditar que não era você que fez Dante ao limbo chegar.. Que Tom Jobim não viu seus olhos quando tocou? Ando falando sozinho por aí, brigando e fazendo as pazes, inventando um novo começo, olhando as horas sem porquê, mudando seu sorriso, quem sabe assim, no fim, eu acredito.
A casa mal acabada, agora mais triste ficou. Não muito grande, mas não há aperto maior que no coração sentiu. Carregou consigo o peso, todo o peso do sofrimento, o Oriental Trabalhador, que hoje partiu.. Quem dirá que quem parti sozinho partiu? Tiram-te seu corpo, mas levou três almas, também. Será a morte um descanso? Vai em paz, aonde tiver que ir..
Querem saber de mim, quem sou. E eu, mero aprendiz, me pergunto. Como me explicarei? Se para os olhos verdes, sorrio. e para os olhos escuros, torço o nariz. Há pessoa de uma só pessoa?
Trajando um enorme sobretudo de veludo, cordialmente, invade minha cabeça, o senhor de vistoso bigode. Tão impetuoso e suficiente de si mesmo, sem apresentações, se mostra a origem da visita: -Viveste a vida? Ou foi ela que viveu por ti? -Consumiste a vida? -Levou sua vida ou tu és personagem da que te projetaram? -Amou-a? Esgotou-a? Feito flechas, me calei, Haveria respostas àquelas perguntas? Não há vida após a morte, disse o eloquente bigode, -Vivas como se à cada momento, apaixonadamente, quisesse repeti-lo, -Consuma-te sua vida! Logo tudo virá pó, Eterno é só o retorno, nem eu, nem tu.

Desarmado.

És poeta mudo, desce o desalmado, degrau por degrau, coberto de poeira, sem rumo, sem caminho! A porta entre aberta, à meia luz, adentro a ferida, que não se fecha, segue a vida, simples, esvaziando a ampulheta. Basta um sopro, um deslize, e lá estão, os dilaceradores olhos a quem se pertence, fitando-lhe, atando-lhe! Formoso e vivo, olham-te, por dentro, leva consigo os dias nublados. Nasce e morre, todos os dias, a cada despedida, envelhece mil anos.

Quando Nietzsche chorou.

"- Todos nós precisamos de paixão, Josef, - interrompeu Nietzsche. - A paixão por dionisíaca é vida. Mas a paixão tem que ser mágica e aviltante? Não haverá uma forma de domina-la? Deixe-me contar sobre um monge budista que conheci no ano passado em Engadine. Ele vive uma vida frugal. Medita metade de suas horas de vigília e passa semanas sem trocar palavra com ninguém. Sua dieta é simples, uma única refeição ao dia, aquilo que conseguir esmolar, talvez apenas uma maçã. Mas ele medita sobre a maçã até estar prenhe de vermelhidão, de suculência e de vivacidade. No final do dia, ele apaixonadamente antecipa sua refeição. A conclusão é, Josef: você não precisa renunciar à paixão, mas tem que mudar suas condições para a paixão."
Há um caminho sem volta para a sabedoria. Aquele que escala a mais íngreme, se torna a arvore mais alta, pouco a pouco, se distancia dos pequenos, da humanidade. Sinto que nadando contra a correnteza, me aproximando dos grandes de alma, as conversas triviais já não satisfazem, o não verdadeiro, não me consome. É realmente esse o caminho?

Areia e vento.

Sou criança de orfanato, levado pelo barraco, de pele e ossos, tato e coração! Empresto-me para o mundo, para o cheiro, ar e pessoas. Algo deixam comigo, outrora, levam de mim. Carrego âncoras, as dores e amores meus, ora, amei com tudo que tinha (enho) ! Por vidas, fui de belas e formosas, de janeiro a janeiro, não soube quem era. E quem dirá que sou de alguém? a não ser de mim. Meu! O movimento se confunde, o que foi já não é, e não voltará a ser, se perdeu! Fica comigo, Minha Poesia. Amo as dores do passado, mas não como as do presente.. Dança a música certa, na errônea melodia,  a vida se explica vivendo, O que amas vai te consumindo...!