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Mostrando postagens de janeiro, 2014
Querem saber de mim, quem sou. E eu, mero aprendiz, me pergunto. Como me explicarei? Se para os olhos verdes, sorrio. e para os olhos escuros, torço o nariz. Há pessoa de uma só pessoa?
Trajando um enorme sobretudo de veludo, cordialmente, invade minha cabeça, o senhor de vistoso bigode. Tão impetuoso e suficiente de si mesmo, sem apresentações, se mostra a origem da visita: -Viveste a vida? Ou foi ela que viveu por ti? -Consumiste a vida? -Levou sua vida ou tu és personagem da que te projetaram? -Amou-a? Esgotou-a? Feito flechas, me calei, Haveria respostas àquelas perguntas? Não há vida após a morte, disse o eloquente bigode, -Vivas como se à cada momento, apaixonadamente, quisesse repeti-lo, -Consuma-te sua vida! Logo tudo virá pó, Eterno é só o retorno, nem eu, nem tu.

Desarmado.

És poeta mudo, desce o desalmado, degrau por degrau, coberto de poeira, sem rumo, sem caminho! A porta entre aberta, à meia luz, adentro a ferida, que não se fecha, segue a vida, simples, esvaziando a ampulheta. Basta um sopro, um deslize, e lá estão, os dilaceradores olhos a quem se pertence, fitando-lhe, atando-lhe! Formoso e vivo, olham-te, por dentro, leva consigo os dias nublados. Nasce e morre, todos os dias, a cada despedida, envelhece mil anos.

Quando Nietzsche chorou.

"- Todos nós precisamos de paixão, Josef, - interrompeu Nietzsche. - A paixão por dionisíaca é vida. Mas a paixão tem que ser mágica e aviltante? Não haverá uma forma de domina-la? Deixe-me contar sobre um monge budista que conheci no ano passado em Engadine. Ele vive uma vida frugal. Medita metade de suas horas de vigília e passa semanas sem trocar palavra com ninguém. Sua dieta é simples, uma única refeição ao dia, aquilo que conseguir esmolar, talvez apenas uma maçã. Mas ele medita sobre a maçã até estar prenhe de vermelhidão, de suculência e de vivacidade. No final do dia, ele apaixonadamente antecipa sua refeição. A conclusão é, Josef: você não precisa renunciar à paixão, mas tem que mudar suas condições para a paixão."
Há um caminho sem volta para a sabedoria. Aquele que escala a mais íngreme, se torna a arvore mais alta, pouco a pouco, se distancia dos pequenos, da humanidade. Sinto que nadando contra a correnteza, me aproximando dos grandes de alma, as conversas triviais já não satisfazem, o não verdadeiro, não me consome. É realmente esse o caminho?

Areia e vento.

Sou criança de orfanato, levado pelo barraco, de pele e ossos, tato e coração! Empresto-me para o mundo, para o cheiro, ar e pessoas. Algo deixam comigo, outrora, levam de mim. Carrego âncoras, as dores e amores meus, ora, amei com tudo que tinha (enho) ! Por vidas, fui de belas e formosas, de janeiro a janeiro, não soube quem era. E quem dirá que sou de alguém? a não ser de mim. Meu! O movimento se confunde, o que foi já não é, e não voltará a ser, se perdeu! Fica comigo, Minha Poesia. Amo as dores do passado, mas não como as do presente.. Dança a música certa, na errônea melodia,  a vida se explica vivendo, O que amas vai te consumindo...!