A terapia e o mar.


Cabe ao psicólogo,
o exercício de não se levar tão a sério,
e também o de desenvolver a arte de se abster,
abrir mão de suas convicções e moldes,
e assim como um pássaro,
que voa sem destino prévio,
voar com o outro.
Cabe ao psicólogo,
não ansiar pelo desejo de colonização,
e deixar o outro ser nada além dele mesmo,
e esperar,
pela surpresa e pelo o inesperado. 
Cabe ao psicologo,
a difícil tarefa de, ao mesmo tempo,
ser âncora e passe,
vento que sopra e tempestade.
Cabe ao psicólogo,
ter ouvidos atentos,
mas em atenção flutuante,
pois os pormenores não gritam,
mas falam muito.
Cabe ao psicólogo,
principalmente,
se manter à deriva,
como um barco lançado ao acaso,
e deixar as palavras do outro,
nortearem o caminho a ser traçado.

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