Meus olhos,
que por milênios não viam coisas novas,
hoje descobriram que ainda podem se surpreender,
e uma nova cor descobriram,
e por isto,
sou outro.
Meus ouvidos,
cansados de ouvirem as sete notas,
hoje ouviram algo novo,
e simplesmente por isto,
sou outro,
novo.
Minhas mãos! minhas mãos!
tatearam o inexplicável,
e de uma forma tão fugaz,
invariavelmente,
sou outro.
Meus pequenos dedos,
que tanto escrevem,
rabiscaram novas palavras,
novas rimas e novos traços,
e do primeiro parágrafo até este último,
já sou outra pessoa.



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